Este post é sobre PT e PSDB, mas não é sobre política, é sobre marcas. "Marca" é o conjunto de características que determina como uma empresa ou produto é visto pelo público em geral. Assim como as pessoas de carne e osso, que são julgadas pelos outros com base no seu exterior e no seu modus operandi, empresas ou organizações também são vistas de uma determinada maneira de acordo com suas ações e sua "aparência". Como o design gráfico trata diretamente daquilo que podemos considerar como sendo a aparência de uma empresa, dá pra entender a sua importância na formação de uma Marca. Aliás, seguem alguns exemplos de Marcas para vocês perceberem como reagimos de diferentes maneiras a cada uma, dependendo da visão que criamos sobre elas: Apple, Microsoft, McDonald’s, Greenpeace, Old Eight, Johnny Walker Red Label, Nike, Kichute, o Exército da Salvação e o Partido Nazista.
Concluída esta introdução, uma das coisas que me mais me lembro do início da prefeitura Marta Suplicy em São Paulo em 2001 foram as mudanças que o novo governo promoveu na identidade visual dos órgãos municipais. A administração da nova prefeita criou um logotipo que consistia em cinco formas de homens-palito vermelhas de mãos dadas, como naquela brincadeira infantil em que você dobra um papel várias vezes e recorta uma forma de pessoa, e quando desdobra o papel há uma corrente de pessoinhas unidas. O PT defendeu que o logo era uma alusão à cooperação entre as pessoas, idéia que já foi explorada em muitos outros logos, principalmente de ONGs. Mas a oposição considerou que os humanóidezinhos que formavam o logo lembravam também a forma de uma estrela vermelha, que, como todos sabemos, é o símbolo do PT. Ou seja, o PT assumiu a prefeitura e não perdeu tempo em colocar sua marca em todos os lugares, de postos de saúde a ônibus, numa atitude que vai contra a esquecida regra de que governo é uma coisa e partido é outra, ou pelo menos deveria ser.
Quando o PSDB de José Serra assumiu a prefeitura paulistana em 2005, o logo da administração Marta Suplicy foi substituído por algo com menos, digamos, espírito de oportunidade e um sentido mais "republicano": o brasão da cidade, acompanhado do texto "Prefeitura de São Paulo" e duas discretas formas que lembram pinceladas, uma acima e outra abaixo do brasão, uma amarela e a outra azul, cores do PSDB.
E o que significa isso? Bem como muitas vezes são algumas pequenas atitudes que nos dão pistas importantes sobre o caráter de uma pessoa, isso também vale para organizações. Vejam o PT. Chegando ao poder, o Partido dos Trabalhadores impôs sua marca sobre suas novas posses, declarando como seu aquilo sobre o que tinha poder, tal qual um fazendeiro que marca seu gado. Já o PSDB criou uma marca que está muito mais associada à história da cidade do que à uma administração específica, uma marca que, por sua desvinculação da imagem de qualquer partido, poderia vir a ser usada até mesmo por um governo de oposição. Até que ponto este pequeno gesto demonstra o caráter de um e de outro partido? E qual seria o logotipo oficial da prefeitura de São Paulo nos próximos quatro anos caso Marta tivesse ganho?
*
Outro dia vi o Lula na TV. O barbado mandatário geral pedia ao povo brasileiro que continue consumindo, a fim de manter a economia saudável e funcionando. Na hora me veio à mente um vídeo que assisti na internet alguns dias antes sobre os conhecidos problemas que o nosso consumismo desenfreado tem causado a este pequeno planeta. Lembrei também de um estudo que indica que a humanidade já está usufruindo de uma Terra e 1/3, ou seja, estamos usando 1/3 a mais de recursos do que seria recomendável para manter sustentável a existência do planeta como o conhecemos.
Perguntei então aos meus botões: como eu tenho contribuído para este estado de coisas, para o bem ou para o mal? E a resposta que tive deles até que não é ruim. As pequena peças de vestuário me disseram que sou um consumidor pouco ávido, então acho que tenho feito mais bem para a nossa saúde ambiental do que para a financeira. Por exemplo, só tive um celular nos últimos 4 anos, o que significa que deixei de jogar no lixo pelo menos uns 3 celulares, o que teria acontecido se eu fosse como a maioria, que troca de celular toda vez que aparece um modelo novo na vitrine. Também sou dono do mesmo carro há mais de 4 anos. Se por um lado eu fiz questão de compra-lo zero quilômetro, consumindo mais matérias-primas do ecossistema ao invés de optar pela "reciclagem" de uma caranga usada, o fato dele ser novo faz com que seus níveis de emissão de gases sejam menores. Também gasto pouca gasolina, e compro poucas roupas. Um par de tênis meu dura anos (vale dizer que não tenho chulé e os lavo de vez em quando). Meus livros e DVDs podem ser reciclados, emprestados ou continuar utilizaveis por anos. E até mesmo acho que como pouco; não sou nenhum glutão. Meu dinheiro é gasto principalmente com bens não tangíveis, como educação e diversão, que devem causar lá seus danos ao meio ambiente mas não é algo tão visível.
Tudo bem, admito, sou um enrolão de primeira. Estou contribuindo com a natureza mais pela minha inação do que por ação. Sim, não estou fazendo nada de útil para salvar o planeta. Mas ando pensando em comprar uma caneca e deixar no trabalho. Assim paro de usar tantos copos descartáveis.
*
Na sexta passada fui com os caras do trabalho a uma loja de fantasias na 25 de Março. Um deles ia comprar uma peruca e barba postiça para uma festa à fantasia. A loja estava, claro, cheia de chapéus pontudos, mascaras de zumbi, abóboras de plástico e mil outros itens próprios para o Dia das Bruxas. E eis que lá, naquele antro do paganismo, vi duas freiras (isso mesmo, FREIRAS! Madres. Irmãs. Mulheres pertencentes à ordem religiosa católica que impõe às suas adeptas a retidão e a castidade. Chame como quiser). Não sei o que faziam lá as honoráveis senhoras de Cristo, mas boa coisa não devia ser! Mwahahahahaha (risada satânica)
*
Em algum lugar no livro "Ah, se eu soubesse" há uma passagem que diz algo mais ou menos assim: nossas alegrias devem ser celebradas com estardalhaço, à vista de todos, mas nossas tristezas devem ser consumidas num canto, em silêncio. Embora o sentido que o autor quisesse dar fosse de uma idéia mais voltada para o universo corporativo, de evitar a exposição das fraquezas pessoais, não deixa de ser um bom conselho. Por isso posso dizer-lhes que estou triste como o diabo, mas não direi mais uma só palavra sobre isso.
*
Hoje não tem ilustra. Só porque estou triste como o diabo.